Um dia eu sonhei (I)


Ontem eu voltei no tempo

Vi um escravo no tronco

Dorso nu, lanhos profundos

Lágrimas grossas, tremendo ronco


Verdugo sorridente

Látego certeiro

Autoridade imponente

Insensível ao berreiro


Pensei na propalada evolução

Que visa a máquina e não o desafortunado

O verdugo era um patrão

O escravo, um empregado


De repente a cena se esfumaçou

O escravo se libertou

E sorriu para o empresário

O verdugo fez-se pó

E em efeito dominó

Transformou-se o cenário


O chicote fez-se livro ou brochura

Os personagens, parceiros com certeza

O ódio fez-se justiça e ternura

E o patíbulo, uma empresa

Cezar Magalhães

 

Um comentário sobre “Um dia eu sonhei (I)”

  1. Gostei muito, parabéns!..e se desejar é sonhar e sonhar é uma dádiva…eu queria ir mais longe, na verdade, queria vivenciar um paradoxo temporal!!!…não para alterá-lo e sim presencia-lo, talvez por curiosidade feminina!

Deixe uma resposta